Carregar o bombo cinco andares para o carro mal estacionado, voltar a subir tudo para trazer três tímbolos empilhados. Depois só faltam os tripés, os pratos e a tarola para arrumar tudo no carro e ir até à baixa, pelo meio da cidade cheia de condutores apressados - as buzinas constantes, trânsito parado - para deixar o carro, outra vez mal estacionado, à frente do lugar onde vamos tocar.
Os músculos já estão cansados - feitos de borracha - quando finalmente conseguimos descarregar tudo e fazer uma pausa no trabalho. Não dá para ficar muito tempo parado, somos os primeiros a tocar e, pela logística, a única banda que faz teste ao som de palco. É só tocar um tema ou dois, mas antes disso são vinte minutos a montar os tripés de maneira a não tocar nas madeiras dos tímbolos, afinar a tarola para não fazer demasiada ressonância, e aparafusar, com força, o pedal para não deslizar durante o concerto.